quarta-feira, 19 de maio de 2010

Para além do palpável


As ideias ortodoxas sobre o Céu e o Inferno sempre me desconcertaram. Diga-me "Leitor", já alguma vez encontrou alguém que merecesses realmente o céu "eterno"? Inclusivamente, quantas são as pessoas que conhece que gostavam efectivamente disso? Há muitos indivíduos que não contam as uvas entres os seus alimentos preferidos, do mesmo modo que tocar arpa não é o passatempo favorito da maioria das pessoas. E pelo facto de alguém estar morto, não signifique que passe a querer aderir aos coros de anjos que cantam em exaltação, fazendo pouco mais. Não conheço ninguém que conseguisse agir assim durante um ano, quanto mais por toda a eternidade.
E relativamente ao inferno?? Lagos de enxofre a ferverem? Com monstros de pesadelos a espicaçá-los com forquilhas, como algo saído de um quadro de Hieronymus Bosh? Alguma vez encontrou alguém tão mau que merecesse um eternidade de puro sofrimento? Não desejaria isso ao meu pior inimigo- a ideia de que um Deus benevolente pudesse fazer uma coisa dessas a outrem só por não acreditar n'Ele é bizarra. A noção de uma eternidade de qualquer coisa, especialmente de um inferno sem esperança de redenção, soa-me mais ao sonho distorcido de um tirano amargurado do que à justiça perfeita de uma divindade amorosa.

Richard Lawrence e Mark Bennet
in Deuses, Guias e Anjos da Guarda