segunda-feira, 19 de abril de 2010

O nosso amor como um prato de Caril


Ás vezes dou comigo a pensar naquilo que era a nossa relação e os motivos que me fazem querer voltar para ti, sabendo que não terá alicerces para se aguentar. Consegui perceber o que me faz pensar em ti todos os dias que me deito, e que me faz cheirar a tua peça de roupa que te esqueceste no meu armário. A nossa relação é viciante, tu vicias. Mas não vicias como uma droga pesada, que nos deixa adormecidos e sem reacção lógica.
Comparo aquilo que tínhamos como um bom prato de caril picante, onde a cor das malaguetas vêm ao de cima com as bolhas da fervura. Começamos por provar e saborear e sentimos aquele quente a picar na nossa língua.Ao princípio até gostamos, sabe-nos bem o intenso sabor. À medida que a frequência em que pomos o garfo á boca aumenta, o picar intenso das malaguetas agrava-se, ficamos com a sensação que iremos ficar sem a língua. Temos que fazer uma pausa porque a saborear algo tão intenso ficamos com medo de ficar sem o nosso paladar e sofremos porque não aguentamos comer aquilo que nos sabe bem. Depois de esquecermos a intensidade que nos fez sofrer, esquecer que aquele prato queima, continuamos a pensar no sabor das especiarias que nos atraíram aquele sabor, aquele sabor onde recordamos a primeira garfada, até que um dia acordamos e pensamos "Caía bem um prato de caril!"

sexta-feira, 9 de abril de 2010

À procura de nós...

Toda a vida o ser humano procura o seu par ideal, aquela mulher ou homem perfeito, adequado ás nossas ideias, que nos traz a felicidade ao coração e está lá sempre que precisamos. Aquilo a que gostamos de chamar o príncipe/princesa encantada. Quando encontramos essa pessoa, pensamos no que poderá acontecer. Quando algo acontece, começamos a fazer os nossos planos, a sonhar cada vez mais e a afastar-nos da realidade. Quando damos por nós essa relação acabou, ficamos sós, e amargurados e pomos as culpas em quem nos deixou sozinhas, ou quem nos fez acabar a relação por não sermos compreendidos. Novamente o ciclo recomeça: a busca do nosso amor. Como o mundo está obcecado com este ideal, com o ritual por todos desejado, o viver junto, o casamento e o "foram felizes para sempre".
Se existe tanta procura, porque é que continuamos sozinhos? Existe pequenos pormenores nessa maravilhosa relação que nos esquecemos: Uma relação é feita a dois, logo para essa equação dar certa, não podemos fazê-la sem o denominador comum, o nosso par. Estamos tão loucos para arranjar casamento e com que tudo seja perfeito que esquecemo-nos que ele existe!É com ele que mantemos uma relação, não com os nossos sonhos!
E quando digo para pensarem no nosso par, não digo encherem as suas cabeças de ideias loucas e súbitas, pois ele também tem pés para andar, também ele tem os seus sonhos. Cada um de nós anda a velocidade diferentes, por isso, lembrem-se de andar á vossa velocidade, mas se ele não vos acompanha e tenta apanhar-vos, andem mais devagar. Mas nunca parar, porque o parar é quando uma relação não sabe avançar, não tem futuro. É como uma língua que deixa de ser falada. Morre.
Reparem o porquê de tantos divórcios. Cada um anda á sua velocidade, depois de um casamento apressado pelas ideias soltas de cada um, só para ficar bem na fotografia de família, porque é "tradição".
Aprendi isto por experiência própria. Vou deixar-me andar à minha velocidade, sem pensar nas últimas "modas" do mundo. Vou continuar sozinha.
Sozinhos aprendemos a conhecer-nos, a saber repôr e a organizar as nossas ideias, a aprender que não precisamos de um par para ser felizes. Assim, quando ele aparecer, eu saberei que é ele, pois andará á mesma velocidade que eu, com os passos coordenados com os meus, como numa dança coreografada, onde o nosso coração aprende a bater pela pessoa certa.

Dedicado a quem arranja sempre forças para continuar...

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Mudando o padrão

Uma das maiores dificuldades para o ser humano é viver uma vida em total aceitação. Aceitar os acontecimentos quando eles vão contra nossos desejos e expectativas é algo muito difícil.
Entretanto, este é o aprendizado mais essencial, que pode fazer a diferença entre uma vida tranqüila e relaxada e outra, permanentemente dominada pela ansiedade, a frustração e a raiva.

Ninguém fica feliz ao ter a realização de seus desejos contrariada, no entanto, podemos, sim, aprender algo com esta experiência, ainda que seja encarar a realidade de que somos incapazes de ter todas as variáveis da existência sob controle.
O ego detesta ser contrariado e, quando isto acontece, geralmente agimos de modo irracional. O que faz a diferença é passar a perceber quando esta reação acontece e como podemos mudar este padrão de comportamento.

Ao invés da raiva, cultivar a aceitação consiste em não perder muito tempo na energia da revolta. Mas, passar, o mais rápido possível, para outro estágio, no qual nos dedicamos a encontrar uma nova maneira de lidar com o fato, percebendo como podemos tirar proveito desta situação, encontrar saídas e alternativas que nos tragam outros aprendizados.

Quanto mais treinarmos e aperfeiçoarmos esta habilidade, aos poucos perceberemos que a aceitação se torna uma reação natural e espontânea, que já não exigirá qualquer esforço de nossa parte.
Ao contrário do que muitos imaginam, aceitar não se resume a uma postura passiva e conformada diante da vida, ao contrário, é uma demonstração de inteligência, pois consiste em agir em harmonia com o ritmo da natureza, em vez de desperdiçar tempo tentando alterá-lo ou indo na direção oposta.

Obviamente, este é um aprendizado que não surge da noite para o dia. Exige um estado de atenção permanente ao nosso próprio interior, nossa mente e nossas emoções. Mas, ao exercitar esta mudança, somos surpreendidos pela rapidez com que a nova atitude se consolida, uma vez que nos dediquemos a desenvolvê-la com sinceridade e confiança.

Isabel Cavalcante

Desgosto de Amor

Os desgostos de amor são horríveis. E, por serem horríveis, as pessoas dizem que fazem parte; que são o preço; que são um caminho; que dão força e fazem crescer. Tal é o medo de aceitar a totalidade da tragédia que são, que se chega ao ponto de ver os desgostos de amor como um rito de passagem não só para a humanidade como para o próprio amor – o que é muito mais grave.

É sempre outrem que fala assim levemente, alguém que, se calhar, nunca teve um desgosto de amor digno do nome ou, se o teve, já o esqueceu e, ao esquecê-lo, provou que nunca amou, por muito desgostoso que tenha ficado. Porque também existe o desgosto de ser abandonado por alguém de quem nos habituáramos a fugir, e de já não ser amado por quem nunca amámos. Mas isso é um simples desgosto que nada tem a ver com o amor. Já um desgosto de amor é um desgosto completo: uma desilusão e uma angústia; uma frustração de quase não existir, que começa por nós próprios, num incêndio de chuva que vai por aí afora até estragar o mundo inteiro, incluindo o que mais se queria proteger: a pessoa amada.

Os abutres da consolação pretendem reclassificar os desgostos e ofender o amor e, distraídos pelo prazer necrófilo de cheirar, mesmo numa pessoa amada, a morte do amor alheio – tão secreta e infinitamente invejado! -, chegam a dizer as três palavras mais estúpidas, cruéis, inúteis e indignas daquelas circunstâncias: "Foi melhor assim." Acrescentando, às vezes, mais duas: "Deixa lá." Como se pudéssemos responder: "Boa ideia – vou deixar!" Os desgostos de amor estragam a alma.

É preciso ter muito medo deles. Respeito. Cuidadinho. Tratar o amor nas palminhas. Mesmo antes de chegar a pessoa que se vai amar. É que os corações partidos ficam partidos. Deixam de poder amar. E, em vez de amar, tornam-se músculos leves e cínicos, trocistas e elegantes. Pode até ser muito giro ser assim. Mas está para o amor como o gosto duma pedra de sal está para o mar. E às vezes ainda é mais triste: é o próprio gosto pelo amor, como quem gosta de um prazer qualquer, que mata o amor – a possibilidade de amar – logo à nascença. Será este o único desgosto, por muito caladinho que seja, tão grande como um desgosto de amor.

Miguel Esteves Cardoso, in crónicas no jornal Expresso

Desgosto Amor II

"O que mais doi quando se ama alguém é imaginar tudo o que não conseguimos realizar juntos... ... O que vivemos é um tesouro que nunca se apaga da memória, mas é o que não construímos que nos entristece e mata..."

... "Eu tenho saudades de tudo o que não vivi contigo."

Crónica Bonecas e Sonhos

De Margarida Rebelo Pinto in Vou Contar-te um Segredo

Amor à distância...

"Aprendi a nunca pedir que me amasses e a nunca cobrar a distância. Aprendi novas formas de viver e de estar, de amar e de ser feliz... ... Sei que também aprendeste muito comigo, mais do que imaginas e do que agora consegues alcançar. Só o tempo te vai dar tudo o que de mim guardaste, esse tempo que é uma caixa que se abre ao contrário: de um lado estás tu, e do outro estou eu, a ver-te sem te poder tocar, a abraçar-te todas as noites antes de adormeceres e a cada manhã que acordares. Não sei quando te voltarei a ver ou a ter notícias tuas, mas sabes uma coisa? Já não me importo, porque sempre soube que ia ser assim. Guardei-te no meu coração antes de partires. Numa noite perfeita entre tantas outras, liguei o meu coração ao teu com um fio invisível e troquei uma parte da tua alma com a minha, enquanto dormias. Não acordaste, nunca acordavas, o teu sono embalava-me e eu sentia-me uma semente debaixo da terra a crescer em silêncio para a felicidade. E não pode haver amor mais certo do que aquele que nos faz felizes. É só deixar correr, como, afinal, tudo o que é verdadeiramente importante na vida."

Crónica Deixar Correr

de Margarida Rebelo Pinto

in Vou Contar-te um Segredo

terça-feira, 6 de abril de 2010

Dor


Dor, aparece em todas as formas. Uma pequena pontada,um pouco de dor muscular, uma grande dor e a dor com que vivemos todos os dias. Lá está essa dor que não podes ignorar. Um nível tão alto de dor que bloqueia tudo o resto, faz com que o resto do mundo desapareça, até que possamos pensar no muito que nos doí. Como controlamos essa dor depende de nós. Anestesíamo-la, fechamo-la, abraçamo-la, ignoramo-la. E para alguns de nós, a melhor maneira de controlar a dor, é viver com ela.
Dor, tens de fechá-la, esperar que se vá embora pelo seu próprio pé,esperar que a ferida que a produz se cure. Não há soluções, não há respostas fáceis. Só podes respirar fundo e esperar que desapareça.
A maioria das vezes, a dor pode-se controlar, mas há ocasiões em que a dor ataca quando menos se espera,apanha-te mesmo debaixo do peito e não te larga.
Dor, tens de lutar contra ela, porque a única certeza que tens, é que não podes descartar-te dela.

Menina-Mulher


Chega a um ponto na tua vida em que és oficialmente adulto. De repente já és maior para votar, beber e tomar parte das actividades adultas. De repente, as pessoas esperam que sejas responsável e sério: um adulto. Crescemos, envelhecemos. Mas por acaso amadurecemos de verdade?
De certa maneira, crescemos, formamos famílias, casamo-nos, divorciamos-nos. Mas a maioria das vezes, seguimos tendo os mesmos problemas que quando tínhamos quinze anos.Não importa o quanto cresçamos, o quanto envelhecemos. Sempre haveremos de tropeçar. Estamos sempre a fazer perguntas a nós mesmos, porque por dentro, somos eternamente jovens.

Erros


Na vida, só ha uma coisa segura, para além da morte e dos impostos... Não importa o quanto tentes, não importa o quão boas sejam as tuas intenções, vais cometer erros, vais magoar alguém. E vão magoar-te a ti.. E se quiseres recuperar, só há uma que podes dizer. Perdoar e esquecer. É o que dizem. É um bom conselho mas não é muito práctico. Quando alguém nos magoa, queremos devolver-lh a dor. Quando alguém diz-nos que nos enganámos, queremos ter razão. Sem o perdão, nunca se ajustam as contas, as velhas feridas nunca se curam, e o máximo que podemos esperar é que um dia, tenhamos a sorte de poder esquecer.

Comunicar


Comunicação: É o que aprendemos nesta vida. O engraçado é quando crescemos, aprendemos as palavras e começamos a dar-nos conta do difícil que é saber o que dizer, como pedir o que realmente queremos.
No final do dia, há coisas que não podemos evitar de falar, coisas que não queremos ouvir e coisas que dizemos porque não podemos calarmo-nos mais. Há coisas que significam outras do que aquilo que queremos dizer,coisas que dizemos porque não nos sai outra, coisas que guardamos para nós mesmos. E não sempre, mas de vez em quando, existe coisas que falam por si mesmas.