
Ás vezes dou comigo a pensar naquilo que era a nossa relação e os motivos que me fazem querer voltar para ti, sabendo que não terá alicerces para se aguentar. Consegui perceber o que me faz pensar em ti todos os dias que me deito, e que me faz cheirar a tua peça de roupa que te esqueceste no meu armário. A nossa relação é viciante, tu vicias. Mas não vicias como uma droga pesada, que nos deixa adormecidos e sem reacção lógica.
Comparo aquilo que tínhamos como um bom prato de caril picante, onde a cor das malaguetas vêm ao de cima com as bolhas da fervura. Começamos por provar e saborear e sentimos aquele quente a picar na nossa língua.Ao princípio até gostamos, sabe-nos bem o intenso sabor. À medida que a frequência em que pomos o garfo á boca aumenta, o picar intenso das malaguetas agrava-se, ficamos com a sensação que iremos ficar sem a língua. Temos que fazer uma pausa porque a saborear algo tão intenso ficamos com medo de ficar sem o nosso paladar e sofremos porque não aguentamos comer aquilo que nos sabe bem. Depois de esquecermos a intensidade que nos fez sofrer, esquecer que aquele prato queima, continuamos a pensar no sabor das especiarias que nos atraíram aquele sabor, aquele sabor onde recordamos a primeira garfada, até que um dia acordamos e pensamos "Caía bem um prato de caril!"
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