quarta-feira, 28 de dezembro de 2011



Diz -se que o tempo cura todas as feridas. Eu não concordo. As feridas permanecem. Com o tempo, a mente, protegendo a sua sanidade, cobre-as com cicratizes e a dor diminue. Mas nunca desaparece.

Rose Kennedy

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Perdoo todas as experiências do passado

Sempre que se fala em perdão, quem é que nos vem à mente? Quem é essa pessoa, ou que experiência foi essa que achamos impossível esquecer e que nunca vamos perdoar? o que é que nos matem agarrados ao passado? Quando nos recusamos a perdoar, estamos a agarrar - nos ao passado e torna - se impossível estarmos no presente. Só quando estamos no presente é que podemos criar o futuro. perdoar é uma dádiva que oferecemos a nós próprios. Liberta - nos do passado, da experiência passada, das antigas relações. permite - nos viver o tempo presente. Quando nos perdoamos a nós próprios e aos outros libertamo -nos realmente. O perdão traz consigo um sentido de liberdade fantástico. Frequentemente temos de nos perdoar a nós próprios para podermos suportar experiências dolorosas, quando não nos amamos o suficiente para nos afastarmos dessas experiências. Por isso, ame-se a si próprio, perdoe- se a si próprio, perdoe aos outros e viva o momento. À medida que se for libertando, veja como o peso da velha amargura e da dor sai de cima dos seus ombros, e como as portas do seu coração se abrem de par em par. Quando penetra nesse espaço do amor, você está sempre a salvo. perdoe todos. perdoe - se a si próprio. Perdoe todas as experiências do passado. Você é livre.

Pensamentos do Coração
Louise L. Hay

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Cansamo-nos de Pensar (Para a Diana)

Cansamo -nos de tudo, excepto de compreender. O sentido da frase é por vezes difícil de atingir. Cansamo-nos de pensar para chegar a uma conclusão, porque quanto mais se pensa, mais se analisa, mais se distingue, menos se chega a uma conclusão.
Caímos então naquele estado de inércia em que o mais que queremos é compreender bem o que é exposto - uma atitude estética, pois queremos compreender sem nos interessar, sem que nos importe que o compreendido seja ou não verdadeiro, sem que vejamos mais no que compreendemos senão a forma exacta como foi exposto, a posição de beleza racional que tem para nós.
Cansamo-nos de pensar, de ter opiniões nossas, de querer pensar para agir. Não nos cansamos, porém, de ter, ainda que transitoriamente, as opiniões alheias, para o único fim de sentir o seu influxo e não seguir o seu impulso.

Livro do Desassossego
Fernando Pessoa

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Para a Diana

É difícil falar de relações. Relações em que as pessoas não conseguem ser quem são, e avançam para a hipótese aparentemente mais fácil que é serem o que os outros esperam delas.
E nessa tentativa de responder ao que esperam de si, a alma vai minguando, desiludida e triste, pois assim não pode mais se exercer na sua maior maturidade, ânsia de qualquer alma.
Cada encarnação é uma oportunidade da alma se manifestar.
Quando as relações te propõem deixares de ser quem és e tu aceitas, quando as relações, seja com quem for, maridos esposas, pais e filhos ou mesmo de cariz profissional, quando as relações te propõem empenhares a tua alma, quem vieste à Terra ser, em prol de desejos mesquinhos e manipulação psíquica, então esse ser ou seres que partilham a vida contigo não te conseguem "ver". Não conseguem ver a tua alma.
Ou porque não sabem, ou porque não querem, ou , pior, porque tu próprio não vês e aceitas essa situação. A culpa não é deles, a culpa não é tua, não existe culpa mas existe responsabilidade, e essa é só tua, de não abandonares a tua alma no meio do caminho.
A tua alma é a tua Luz.
A tua alma é a tua vida.
E depende de ti orientares essas relações, colocares limites, aprenderes a dizer não, aprenderes a dizer não sei, não posso, não tenho. Aprenderes a interiorizar, a olhar para dentro de ti própria e procurar a tua lógica. Procurar as tuas opções, as tuas próprias opiniões e a tua escolha. Aprenderes a ser e a partilhares o que és com os outros.
E, fundamentalmente, respeitares o que os outros são e escolhem até ao mais ínfimo pormenor.
E só nessa altura estarás em contacto com essa força oculta, imensa que, quando a conheceres bem, vais habituar- te a chamá-la de Luz.

Alexandra Solnado
in O Livro da Luz

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Para além do palpável


As ideias ortodoxas sobre o Céu e o Inferno sempre me desconcertaram. Diga-me "Leitor", já alguma vez encontrou alguém que merecesses realmente o céu "eterno"? Inclusivamente, quantas são as pessoas que conhece que gostavam efectivamente disso? Há muitos indivíduos que não contam as uvas entres os seus alimentos preferidos, do mesmo modo que tocar arpa não é o passatempo favorito da maioria das pessoas. E pelo facto de alguém estar morto, não signifique que passe a querer aderir aos coros de anjos que cantam em exaltação, fazendo pouco mais. Não conheço ninguém que conseguisse agir assim durante um ano, quanto mais por toda a eternidade.
E relativamente ao inferno?? Lagos de enxofre a ferverem? Com monstros de pesadelos a espicaçá-los com forquilhas, como algo saído de um quadro de Hieronymus Bosh? Alguma vez encontrou alguém tão mau que merecesse um eternidade de puro sofrimento? Não desejaria isso ao meu pior inimigo- a ideia de que um Deus benevolente pudesse fazer uma coisa dessas a outrem só por não acreditar n'Ele é bizarra. A noção de uma eternidade de qualquer coisa, especialmente de um inferno sem esperança de redenção, soa-me mais ao sonho distorcido de um tirano amargurado do que à justiça perfeita de uma divindade amorosa.

Richard Lawrence e Mark Bennet
in Deuses, Guias e Anjos da Guarda

segunda-feira, 19 de abril de 2010

O nosso amor como um prato de Caril


Ás vezes dou comigo a pensar naquilo que era a nossa relação e os motivos que me fazem querer voltar para ti, sabendo que não terá alicerces para se aguentar. Consegui perceber o que me faz pensar em ti todos os dias que me deito, e que me faz cheirar a tua peça de roupa que te esqueceste no meu armário. A nossa relação é viciante, tu vicias. Mas não vicias como uma droga pesada, que nos deixa adormecidos e sem reacção lógica.
Comparo aquilo que tínhamos como um bom prato de caril picante, onde a cor das malaguetas vêm ao de cima com as bolhas da fervura. Começamos por provar e saborear e sentimos aquele quente a picar na nossa língua.Ao princípio até gostamos, sabe-nos bem o intenso sabor. À medida que a frequência em que pomos o garfo á boca aumenta, o picar intenso das malaguetas agrava-se, ficamos com a sensação que iremos ficar sem a língua. Temos que fazer uma pausa porque a saborear algo tão intenso ficamos com medo de ficar sem o nosso paladar e sofremos porque não aguentamos comer aquilo que nos sabe bem. Depois de esquecermos a intensidade que nos fez sofrer, esquecer que aquele prato queima, continuamos a pensar no sabor das especiarias que nos atraíram aquele sabor, aquele sabor onde recordamos a primeira garfada, até que um dia acordamos e pensamos "Caía bem um prato de caril!"

sexta-feira, 9 de abril de 2010

À procura de nós...

Toda a vida o ser humano procura o seu par ideal, aquela mulher ou homem perfeito, adequado ás nossas ideias, que nos traz a felicidade ao coração e está lá sempre que precisamos. Aquilo a que gostamos de chamar o príncipe/princesa encantada. Quando encontramos essa pessoa, pensamos no que poderá acontecer. Quando algo acontece, começamos a fazer os nossos planos, a sonhar cada vez mais e a afastar-nos da realidade. Quando damos por nós essa relação acabou, ficamos sós, e amargurados e pomos as culpas em quem nos deixou sozinhas, ou quem nos fez acabar a relação por não sermos compreendidos. Novamente o ciclo recomeça: a busca do nosso amor. Como o mundo está obcecado com este ideal, com o ritual por todos desejado, o viver junto, o casamento e o "foram felizes para sempre".
Se existe tanta procura, porque é que continuamos sozinhos? Existe pequenos pormenores nessa maravilhosa relação que nos esquecemos: Uma relação é feita a dois, logo para essa equação dar certa, não podemos fazê-la sem o denominador comum, o nosso par. Estamos tão loucos para arranjar casamento e com que tudo seja perfeito que esquecemo-nos que ele existe!É com ele que mantemos uma relação, não com os nossos sonhos!
E quando digo para pensarem no nosso par, não digo encherem as suas cabeças de ideias loucas e súbitas, pois ele também tem pés para andar, também ele tem os seus sonhos. Cada um de nós anda a velocidade diferentes, por isso, lembrem-se de andar á vossa velocidade, mas se ele não vos acompanha e tenta apanhar-vos, andem mais devagar. Mas nunca parar, porque o parar é quando uma relação não sabe avançar, não tem futuro. É como uma língua que deixa de ser falada. Morre.
Reparem o porquê de tantos divórcios. Cada um anda á sua velocidade, depois de um casamento apressado pelas ideias soltas de cada um, só para ficar bem na fotografia de família, porque é "tradição".
Aprendi isto por experiência própria. Vou deixar-me andar à minha velocidade, sem pensar nas últimas "modas" do mundo. Vou continuar sozinha.
Sozinhos aprendemos a conhecer-nos, a saber repôr e a organizar as nossas ideias, a aprender que não precisamos de um par para ser felizes. Assim, quando ele aparecer, eu saberei que é ele, pois andará á mesma velocidade que eu, com os passos coordenados com os meus, como numa dança coreografada, onde o nosso coração aprende a bater pela pessoa certa.

Dedicado a quem arranja sempre forças para continuar...