quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Cansamo-nos de Pensar (Para a Diana)

Cansamo -nos de tudo, excepto de compreender. O sentido da frase é por vezes difícil de atingir. Cansamo-nos de pensar para chegar a uma conclusão, porque quanto mais se pensa, mais se analisa, mais se distingue, menos se chega a uma conclusão.
Caímos então naquele estado de inércia em que o mais que queremos é compreender bem o que é exposto - uma atitude estética, pois queremos compreender sem nos interessar, sem que nos importe que o compreendido seja ou não verdadeiro, sem que vejamos mais no que compreendemos senão a forma exacta como foi exposto, a posição de beleza racional que tem para nós.
Cansamo-nos de pensar, de ter opiniões nossas, de querer pensar para agir. Não nos cansamos, porém, de ter, ainda que transitoriamente, as opiniões alheias, para o único fim de sentir o seu influxo e não seguir o seu impulso.

Livro do Desassossego
Fernando Pessoa

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Para a Diana

É difícil falar de relações. Relações em que as pessoas não conseguem ser quem são, e avançam para a hipótese aparentemente mais fácil que é serem o que os outros esperam delas.
E nessa tentativa de responder ao que esperam de si, a alma vai minguando, desiludida e triste, pois assim não pode mais se exercer na sua maior maturidade, ânsia de qualquer alma.
Cada encarnação é uma oportunidade da alma se manifestar.
Quando as relações te propõem deixares de ser quem és e tu aceitas, quando as relações, seja com quem for, maridos esposas, pais e filhos ou mesmo de cariz profissional, quando as relações te propõem empenhares a tua alma, quem vieste à Terra ser, em prol de desejos mesquinhos e manipulação psíquica, então esse ser ou seres que partilham a vida contigo não te conseguem "ver". Não conseguem ver a tua alma.
Ou porque não sabem, ou porque não querem, ou , pior, porque tu próprio não vês e aceitas essa situação. A culpa não é deles, a culpa não é tua, não existe culpa mas existe responsabilidade, e essa é só tua, de não abandonares a tua alma no meio do caminho.
A tua alma é a tua Luz.
A tua alma é a tua vida.
E depende de ti orientares essas relações, colocares limites, aprenderes a dizer não, aprenderes a dizer não sei, não posso, não tenho. Aprenderes a interiorizar, a olhar para dentro de ti própria e procurar a tua lógica. Procurar as tuas opções, as tuas próprias opiniões e a tua escolha. Aprenderes a ser e a partilhares o que és com os outros.
E, fundamentalmente, respeitares o que os outros são e escolhem até ao mais ínfimo pormenor.
E só nessa altura estarás em contacto com essa força oculta, imensa que, quando a conheceres bem, vais habituar- te a chamá-la de Luz.

Alexandra Solnado
in O Livro da Luz

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Para além do palpável


As ideias ortodoxas sobre o Céu e o Inferno sempre me desconcertaram. Diga-me "Leitor", já alguma vez encontrou alguém que merecesses realmente o céu "eterno"? Inclusivamente, quantas são as pessoas que conhece que gostavam efectivamente disso? Há muitos indivíduos que não contam as uvas entres os seus alimentos preferidos, do mesmo modo que tocar arpa não é o passatempo favorito da maioria das pessoas. E pelo facto de alguém estar morto, não signifique que passe a querer aderir aos coros de anjos que cantam em exaltação, fazendo pouco mais. Não conheço ninguém que conseguisse agir assim durante um ano, quanto mais por toda a eternidade.
E relativamente ao inferno?? Lagos de enxofre a ferverem? Com monstros de pesadelos a espicaçá-los com forquilhas, como algo saído de um quadro de Hieronymus Bosh? Alguma vez encontrou alguém tão mau que merecesse um eternidade de puro sofrimento? Não desejaria isso ao meu pior inimigo- a ideia de que um Deus benevolente pudesse fazer uma coisa dessas a outrem só por não acreditar n'Ele é bizarra. A noção de uma eternidade de qualquer coisa, especialmente de um inferno sem esperança de redenção, soa-me mais ao sonho distorcido de um tirano amargurado do que à justiça perfeita de uma divindade amorosa.

Richard Lawrence e Mark Bennet
in Deuses, Guias e Anjos da Guarda

segunda-feira, 19 de abril de 2010

O nosso amor como um prato de Caril


Ás vezes dou comigo a pensar naquilo que era a nossa relação e os motivos que me fazem querer voltar para ti, sabendo que não terá alicerces para se aguentar. Consegui perceber o que me faz pensar em ti todos os dias que me deito, e que me faz cheirar a tua peça de roupa que te esqueceste no meu armário. A nossa relação é viciante, tu vicias. Mas não vicias como uma droga pesada, que nos deixa adormecidos e sem reacção lógica.
Comparo aquilo que tínhamos como um bom prato de caril picante, onde a cor das malaguetas vêm ao de cima com as bolhas da fervura. Começamos por provar e saborear e sentimos aquele quente a picar na nossa língua.Ao princípio até gostamos, sabe-nos bem o intenso sabor. À medida que a frequência em que pomos o garfo á boca aumenta, o picar intenso das malaguetas agrava-se, ficamos com a sensação que iremos ficar sem a língua. Temos que fazer uma pausa porque a saborear algo tão intenso ficamos com medo de ficar sem o nosso paladar e sofremos porque não aguentamos comer aquilo que nos sabe bem. Depois de esquecermos a intensidade que nos fez sofrer, esquecer que aquele prato queima, continuamos a pensar no sabor das especiarias que nos atraíram aquele sabor, aquele sabor onde recordamos a primeira garfada, até que um dia acordamos e pensamos "Caía bem um prato de caril!"

sexta-feira, 9 de abril de 2010

À procura de nós...

Toda a vida o ser humano procura o seu par ideal, aquela mulher ou homem perfeito, adequado ás nossas ideias, que nos traz a felicidade ao coração e está lá sempre que precisamos. Aquilo a que gostamos de chamar o príncipe/princesa encantada. Quando encontramos essa pessoa, pensamos no que poderá acontecer. Quando algo acontece, começamos a fazer os nossos planos, a sonhar cada vez mais e a afastar-nos da realidade. Quando damos por nós essa relação acabou, ficamos sós, e amargurados e pomos as culpas em quem nos deixou sozinhas, ou quem nos fez acabar a relação por não sermos compreendidos. Novamente o ciclo recomeça: a busca do nosso amor. Como o mundo está obcecado com este ideal, com o ritual por todos desejado, o viver junto, o casamento e o "foram felizes para sempre".
Se existe tanta procura, porque é que continuamos sozinhos? Existe pequenos pormenores nessa maravilhosa relação que nos esquecemos: Uma relação é feita a dois, logo para essa equação dar certa, não podemos fazê-la sem o denominador comum, o nosso par. Estamos tão loucos para arranjar casamento e com que tudo seja perfeito que esquecemo-nos que ele existe!É com ele que mantemos uma relação, não com os nossos sonhos!
E quando digo para pensarem no nosso par, não digo encherem as suas cabeças de ideias loucas e súbitas, pois ele também tem pés para andar, também ele tem os seus sonhos. Cada um de nós anda a velocidade diferentes, por isso, lembrem-se de andar á vossa velocidade, mas se ele não vos acompanha e tenta apanhar-vos, andem mais devagar. Mas nunca parar, porque o parar é quando uma relação não sabe avançar, não tem futuro. É como uma língua que deixa de ser falada. Morre.
Reparem o porquê de tantos divórcios. Cada um anda á sua velocidade, depois de um casamento apressado pelas ideias soltas de cada um, só para ficar bem na fotografia de família, porque é "tradição".
Aprendi isto por experiência própria. Vou deixar-me andar à minha velocidade, sem pensar nas últimas "modas" do mundo. Vou continuar sozinha.
Sozinhos aprendemos a conhecer-nos, a saber repôr e a organizar as nossas ideias, a aprender que não precisamos de um par para ser felizes. Assim, quando ele aparecer, eu saberei que é ele, pois andará á mesma velocidade que eu, com os passos coordenados com os meus, como numa dança coreografada, onde o nosso coração aprende a bater pela pessoa certa.

Dedicado a quem arranja sempre forças para continuar...

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Mudando o padrão

Uma das maiores dificuldades para o ser humano é viver uma vida em total aceitação. Aceitar os acontecimentos quando eles vão contra nossos desejos e expectativas é algo muito difícil.
Entretanto, este é o aprendizado mais essencial, que pode fazer a diferença entre uma vida tranqüila e relaxada e outra, permanentemente dominada pela ansiedade, a frustração e a raiva.

Ninguém fica feliz ao ter a realização de seus desejos contrariada, no entanto, podemos, sim, aprender algo com esta experiência, ainda que seja encarar a realidade de que somos incapazes de ter todas as variáveis da existência sob controle.
O ego detesta ser contrariado e, quando isto acontece, geralmente agimos de modo irracional. O que faz a diferença é passar a perceber quando esta reação acontece e como podemos mudar este padrão de comportamento.

Ao invés da raiva, cultivar a aceitação consiste em não perder muito tempo na energia da revolta. Mas, passar, o mais rápido possível, para outro estágio, no qual nos dedicamos a encontrar uma nova maneira de lidar com o fato, percebendo como podemos tirar proveito desta situação, encontrar saídas e alternativas que nos tragam outros aprendizados.

Quanto mais treinarmos e aperfeiçoarmos esta habilidade, aos poucos perceberemos que a aceitação se torna uma reação natural e espontânea, que já não exigirá qualquer esforço de nossa parte.
Ao contrário do que muitos imaginam, aceitar não se resume a uma postura passiva e conformada diante da vida, ao contrário, é uma demonstração de inteligência, pois consiste em agir em harmonia com o ritmo da natureza, em vez de desperdiçar tempo tentando alterá-lo ou indo na direção oposta.

Obviamente, este é um aprendizado que não surge da noite para o dia. Exige um estado de atenção permanente ao nosso próprio interior, nossa mente e nossas emoções. Mas, ao exercitar esta mudança, somos surpreendidos pela rapidez com que a nova atitude se consolida, uma vez que nos dediquemos a desenvolvê-la com sinceridade e confiança.

Isabel Cavalcante

Desgosto de Amor

Os desgostos de amor são horríveis. E, por serem horríveis, as pessoas dizem que fazem parte; que são o preço; que são um caminho; que dão força e fazem crescer. Tal é o medo de aceitar a totalidade da tragédia que são, que se chega ao ponto de ver os desgostos de amor como um rito de passagem não só para a humanidade como para o próprio amor – o que é muito mais grave.

É sempre outrem que fala assim levemente, alguém que, se calhar, nunca teve um desgosto de amor digno do nome ou, se o teve, já o esqueceu e, ao esquecê-lo, provou que nunca amou, por muito desgostoso que tenha ficado. Porque também existe o desgosto de ser abandonado por alguém de quem nos habituáramos a fugir, e de já não ser amado por quem nunca amámos. Mas isso é um simples desgosto que nada tem a ver com o amor. Já um desgosto de amor é um desgosto completo: uma desilusão e uma angústia; uma frustração de quase não existir, que começa por nós próprios, num incêndio de chuva que vai por aí afora até estragar o mundo inteiro, incluindo o que mais se queria proteger: a pessoa amada.

Os abutres da consolação pretendem reclassificar os desgostos e ofender o amor e, distraídos pelo prazer necrófilo de cheirar, mesmo numa pessoa amada, a morte do amor alheio – tão secreta e infinitamente invejado! -, chegam a dizer as três palavras mais estúpidas, cruéis, inúteis e indignas daquelas circunstâncias: "Foi melhor assim." Acrescentando, às vezes, mais duas: "Deixa lá." Como se pudéssemos responder: "Boa ideia – vou deixar!" Os desgostos de amor estragam a alma.

É preciso ter muito medo deles. Respeito. Cuidadinho. Tratar o amor nas palminhas. Mesmo antes de chegar a pessoa que se vai amar. É que os corações partidos ficam partidos. Deixam de poder amar. E, em vez de amar, tornam-se músculos leves e cínicos, trocistas e elegantes. Pode até ser muito giro ser assim. Mas está para o amor como o gosto duma pedra de sal está para o mar. E às vezes ainda é mais triste: é o próprio gosto pelo amor, como quem gosta de um prazer qualquer, que mata o amor – a possibilidade de amar – logo à nascença. Será este o único desgosto, por muito caladinho que seja, tão grande como um desgosto de amor.

Miguel Esteves Cardoso, in crónicas no jornal Expresso

Desgosto Amor II

"O que mais doi quando se ama alguém é imaginar tudo o que não conseguimos realizar juntos... ... O que vivemos é um tesouro que nunca se apaga da memória, mas é o que não construímos que nos entristece e mata..."

... "Eu tenho saudades de tudo o que não vivi contigo."

Crónica Bonecas e Sonhos

De Margarida Rebelo Pinto in Vou Contar-te um Segredo

Amor à distância...

"Aprendi a nunca pedir que me amasses e a nunca cobrar a distância. Aprendi novas formas de viver e de estar, de amar e de ser feliz... ... Sei que também aprendeste muito comigo, mais do que imaginas e do que agora consegues alcançar. Só o tempo te vai dar tudo o que de mim guardaste, esse tempo que é uma caixa que se abre ao contrário: de um lado estás tu, e do outro estou eu, a ver-te sem te poder tocar, a abraçar-te todas as noites antes de adormeceres e a cada manhã que acordares. Não sei quando te voltarei a ver ou a ter notícias tuas, mas sabes uma coisa? Já não me importo, porque sempre soube que ia ser assim. Guardei-te no meu coração antes de partires. Numa noite perfeita entre tantas outras, liguei o meu coração ao teu com um fio invisível e troquei uma parte da tua alma com a minha, enquanto dormias. Não acordaste, nunca acordavas, o teu sono embalava-me e eu sentia-me uma semente debaixo da terra a crescer em silêncio para a felicidade. E não pode haver amor mais certo do que aquele que nos faz felizes. É só deixar correr, como, afinal, tudo o que é verdadeiramente importante na vida."

Crónica Deixar Correr

de Margarida Rebelo Pinto

in Vou Contar-te um Segredo

terça-feira, 6 de abril de 2010

Dor


Dor, aparece em todas as formas. Uma pequena pontada,um pouco de dor muscular, uma grande dor e a dor com que vivemos todos os dias. Lá está essa dor que não podes ignorar. Um nível tão alto de dor que bloqueia tudo o resto, faz com que o resto do mundo desapareça, até que possamos pensar no muito que nos doí. Como controlamos essa dor depende de nós. Anestesíamo-la, fechamo-la, abraçamo-la, ignoramo-la. E para alguns de nós, a melhor maneira de controlar a dor, é viver com ela.
Dor, tens de fechá-la, esperar que se vá embora pelo seu próprio pé,esperar que a ferida que a produz se cure. Não há soluções, não há respostas fáceis. Só podes respirar fundo e esperar que desapareça.
A maioria das vezes, a dor pode-se controlar, mas há ocasiões em que a dor ataca quando menos se espera,apanha-te mesmo debaixo do peito e não te larga.
Dor, tens de lutar contra ela, porque a única certeza que tens, é que não podes descartar-te dela.

Menina-Mulher


Chega a um ponto na tua vida em que és oficialmente adulto. De repente já és maior para votar, beber e tomar parte das actividades adultas. De repente, as pessoas esperam que sejas responsável e sério: um adulto. Crescemos, envelhecemos. Mas por acaso amadurecemos de verdade?
De certa maneira, crescemos, formamos famílias, casamo-nos, divorciamos-nos. Mas a maioria das vezes, seguimos tendo os mesmos problemas que quando tínhamos quinze anos.Não importa o quanto cresçamos, o quanto envelhecemos. Sempre haveremos de tropeçar. Estamos sempre a fazer perguntas a nós mesmos, porque por dentro, somos eternamente jovens.

Erros


Na vida, só ha uma coisa segura, para além da morte e dos impostos... Não importa o quanto tentes, não importa o quão boas sejam as tuas intenções, vais cometer erros, vais magoar alguém. E vão magoar-te a ti.. E se quiseres recuperar, só há uma que podes dizer. Perdoar e esquecer. É o que dizem. É um bom conselho mas não é muito práctico. Quando alguém nos magoa, queremos devolver-lh a dor. Quando alguém diz-nos que nos enganámos, queremos ter razão. Sem o perdão, nunca se ajustam as contas, as velhas feridas nunca se curam, e o máximo que podemos esperar é que um dia, tenhamos a sorte de poder esquecer.

Comunicar


Comunicação: É o que aprendemos nesta vida. O engraçado é quando crescemos, aprendemos as palavras e começamos a dar-nos conta do difícil que é saber o que dizer, como pedir o que realmente queremos.
No final do dia, há coisas que não podemos evitar de falar, coisas que não queremos ouvir e coisas que dizemos porque não podemos calarmo-nos mais. Há coisas que significam outras do que aquilo que queremos dizer,coisas que dizemos porque não nos sai outra, coisas que guardamos para nós mesmos. E não sempre, mas de vez em quando, existe coisas que falam por si mesmas.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Para o meu pai...


De forma geral, os homens não sabem o que é amor, é um sentimento que lhes é totalmente estranho.

Conhecem o desejo, o desejo sexual bruto e a competição entre machos; e depois, muito mais tarde, já casados, chegam, chegavam antigamente, a sentir um certo reconhecimento pela companheira quando ela lhe dava filhos, tinha mantido bem a casa e era boa cozinheira e boa amante- então chegavam a ter prazer por dormir na mesma cama. Não era talvez o que as mulheres desejavam, talvez houvesse aí um mal- entendido, mas era um sentimento que podia ser muito forte- e mesmo quando eles sentiam excitação, aliás cada vez mais fraca, por esta ou aquela mulher, já não conseguiam literalmente viver sem a mulher e, se acontecia ela morrer, eles desatavam a beber e acabavam rapidamente, em geral uns meses bastavam. Os filhos, esses, representavam a transmissão de uma condição, de regras e de um património. Era evidentemente o que acontecia nas classes feudais, mas igualmente com os comerciantes, camponeses, artesãos, de forma geral com todos os grupos da sociedade. Hoje, nada disso existe.

As pessoas são assalariadas, locatárias, não têm nada para deixar aos filhos. não têm nada para lhes ensinar, nem sequer sabem o que poderão vir a fazer; as regras que conheceram não serão de todo aplicáveis a eles, porque eles viverão num mundo completamente diferente. Aceitar a ideologia da mudança permanente significa aceitar que a vida de um homem está reduzida estritamente à sua existência individual e que as gerações passadas e futuras não têm, aos seus olhos, nenhuma importância.

É assim que nós vivemos, e ter um filho, hoje, para um homem, já não faz qualquer sentido. O caso das mulheres é diferente, porque eles continuam a sentir necessidade de terem um ser que amem- o que não é, nem nunca foi, o caso dos homens. É um disparate acreditar que os homens também têm necessidade de acarinhar e de brincar com os filhos, de lhes fazer festinhas. Por mais que no-lo digam, é um disparate. Depois de nos termos divorciado e de o quadro familiar se ter desfeito, as relações com os filhos perdem sentido. Um filho é uma armadilha que se fechou, é o inimigo que temos de continuar a manter que vai acabar por nos enterrar.


Michel Houllebecq

'As Partículas Elementares'

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

O mal como crescimento do espirito

Para alguns, o mal é necessário para o crescimento moral e espiritual e o mundo é melhor com o crescimento moral e espiritual do que sem ele. As virtudes só são possíveis se houver mal (natural e moral) a que reagir e que corrigir. Não podemos ser corajosos se não houver perigos para enfrentar e não podemos fazer caridade se as pessoas não tiverem necessidades.
É quase como a descrição do mundo como o "Vale onde se fazem almas" do poeta John Keats. "não vês"- perguntava ele- "quão necessário é um Mundo de Dores e problemas para educar uma inteligência e fazer dela uma alma!"
A necessidade de nos tornarmos bons justificará realmente o mal? Para o filósofo americano John Hick, uma pessoa que se tornou boa por enfrentar e lidar com o mal "é boa num sentido mais rico e valioso" do que alguém que nasce bom. Resumindo não há ganho sem esforço.
Esta teodiceia só funciona se todo o mal levar ao crescimento espiritual, o que não parece verdade. Muitas pessoas sofrem imenso, de um modo que lhes despedaça o espírito, como as crianças que nunca se refazem de terem sido abusadas. Outras sofrem no fim da vida, quando têm pouco tempo para se desenvolverem mais, e alguns crescem espiritualmente e não sofrem muito. E há aquelas que morrem jovens, sem terem oportunidade de crescimento espiritual. Uma das respostas é que o sofrimento dessas pessoas nos ajuda a nós também.
Richard Swinburne defende que se o mal fosse previsível, correspondesse na perfeição à necessidade de crescimento, a fé e a esperança nunca se desenvolveriam. Estas virtudes requerem um nível considerável de impresivisibilidade , pois se o mal tivesse um padrão racional, não precisaríamos delas. Continuamos a poder perguntar porque razão a bondade não poderia crescer com mal menores; e que propósito servirão milhões de anos de sofrimento animal ( supondo que o animais não crescem espiritualmente).

Bruxas... serão mesmo?












Todos nós ja ouvimos falar de bruxas e imaginamo - las velhas feias, com verrugas, com chapéus altos a voar em vassouras adorando o diabo e a cozinhar bebés nos seus grandes caldeirões junto com olhos de gato e garras de lobo...




A verdade é que isto é tudo uma verdade distorcida pela Igreja Católica quando viu que não conseguia espalhar a Fé Cristã.




Com este texto vou tenatr explicar o que realmente se passou e elucidar algumas mentes. Antes de alguma vez existir o Catolicismo ou outro tipo de religião que nós conhecemos nos dias de hoje apenas havia uma, que com a evolução do mundo transmutou- se para o nome de Wicca. Segundo os historiadores, já na época do Paleolítico existia a procura da explicação para coisas simples de hoje como o crescimento da relva, porque é que chove ou porque é que existe relâmpagos.


Nessa altura o mais importante para sobreviver era a caça e a reprodução. Deste modo começou a ser descobertas várias figuras esculpidas na pedra ou relevos ao Deus da Caça e à Deusa da Fertilidade. O Deus da Caça, era representado normalmente com peles de animais e chifres, pois a maior parte do animais caçados eram bisontes ou veados . A Deusa da Fertilidade era representada pela mulher, já que era a mulher que paria. Esta era representada bastante avantajada a nível de gordura, com uns seios bastante voluptuosos e com os genitais bastante saídos. Esta representação representava para além da fertilidade no homem, a fertilidade na terra e nos animais, de muito alimento.


Com o passar do tempo, a importância do Deus da Caça diminuiu, mas a importância da Deusa da Fertilidade continuou, pois os campos continuavam, agora trabalhados. Existia rituais para pedir ajuda à Deusa onde todos participavam. Existia pessoas que se concentravam mais na Deusa e estavam mais inseridos neste mundo. Normalmente era Druidas ou Feiticeiras. Estes era muitos respeitados e até eram conselheiros do Rei em todos os aspectos: o rei não tomava uma decisão sem os seus conselhos.


Com a lenta (ao contrário do que se pensa) expansão da Fé Cristã, que ao principio aceitava esta crença , as pessoas começaram a ter uma maneira diferente de ver e com os tempos a velha religião começou a ser isolada. Apenas nas aldeias mais escondidas ou isoladas continuava- se a adorar a Deusa. A igreja Católica, não conseguindo desmotivar as pessoas a deixarem o Wiccanismo, começou a espalhar mentiras sobre a velha religião. Na altura estaria na moda os chapeus altos como nós associamos às "típicas Bruxas". Como estas já se encontravam isoladas do mundo, essa moda passou e as notícias na altura corriam devagar e elas continuavam com o típico chapeu, hoje tão bem conhecido.




Claro que os rituais ainda continuavam pela Mãe Natureza. Normalmente dançavam e entoavam cantos à volta da fogueira onde tinha várias vassouras como amuleto. Dançavam e cantavam com tanto vigor, que quem as vira disseram que voavam nas vassouras.(Outra mentira!)


Cozinhar bebés? Segundo os historiadores nunca foi possível comprovar esta teoria pois nunca se encontrou documentos que o provassem, apenas diziam que quando os procuravam já não os encontravam, pois elas já os deviam ter comido! (Absurdo!)




Quanto aos olhos de gato, garras de lobo e corno de veado, está provado que eles realmente existiam e eram usados por estas senhoras . Porém, não se deixem levar pelos nomes literalmente: estes ingredientes não passavam de ervas com estes nomes tal como temos o famoso "dente de leão"!


Foi espalhado que os crentes da velha igreja eram anti-cristos e que adoravam o Diabo (lembram-se do velho Deus da Caça?) Antes do aparecimento do Cristianismo, Santanás, Belzebu, ou que lhe queiram chamar, não existia, sendo mais uma invenção da Nova Igreja. Após o seu aparecimento, a revolta que havia do antigos crentes contra o Cristianismo levou a serem chamados de Satanicos.




A Igreja Católica continuava sedenta de mais. Papa Gregório decidiu mandar destruir todos os templos à mãe natureza e enganar os poucos crentes que lhe faltavam. Então apresentou as suas igrejas com imagens do deuses pagãos à porta, tal como hoje vemos em algumas as gárgulas.


Para terminar com os restos da religião Wicca, a religião Cristã começou por lhes tirar o pouco que tinham , com impostos e regras. Foram banidos as relações sexuais mesmo entre casais casados às Quartas, Sextas e Domingos , 40 dias antes do Natal e 40 dias antes da Páscoa, 3 dias antes de receber a comunhão e 3 dias antes de se confessar. No mesmo acto não poderia haver prazer nisso, pois seria pecados e coisas do Diabo. Resumindo, havia 2 meses num ano inteiro onde um casal poderia ter relações sexuais à vontade, ao contrário dos rituais de fertilidade que havia na religião antiga.


Com as cada vez mais revoltas que havia dos Wiccans, a igreja católica começou a destruir aldeias inteiras se desconfiasse que poderia haver um pagão ou dois pelo meio. As suas palavras eram "Destruam-nos a todos, o Senhor saberá o que fazer com eles".


Durante os tempos, por volta de 9 milhões de pessoas foram postas á morte por bruxaria. Não 9 milhões de bruxas que foram postas á morte, mas 9 milhões de pessoas (inocentes e não) forma postas á morte.


Com as mortes que avançavam , os Wiccans tiveram que se esconder, juntar - se no bosque até desvanecer- se, expulsos pelo conhecido Deus do Amor e da Paz.




Mas o Wiccanismo não morreu. Com a adopção das imagens pagãs para chamar a atenção, apareceu também os santos católicos, que foram adoptados pela antiga religião, tal comos os feriados religiosos como o Natal, a Páscoa, Dia de todos os santos, etc.. A Viregm Maria que "concebeu" sem pecado não vos lembra uma Senhora Antiga também concebia alimentos e fertilidade?


Agora que leram pensem: Afinal quem é que são os bruxos?

domingo, 24 de janeiro de 2010

O que é a alma?


Vou deixar aqui várias citações de grandes pessoas que podem explicar o que é a alma.


"O que fica atrás de nós e o que jaz à nossa frente têm muito pouca importância, comparado com o que há dentro de nós"

Autor: Emerson,Ralph

"A carne é cinza, a alma é chama"
Fonte: "O Homem que Ri"
Autor: Hugo , Victor

"O homem é uma prisão em que a alma permanece livre"

Fonte: "As Contemplações"
Autor: Hugo , Victor

"De que serve ao homem conquistar o mundo inteiro se perder a alma ?"

Autor: Pascal , Blaise

"A nossa alma é um ''três mastros'' em busca do seu Ícaro"

Autor: Baudelaire , Charles

"O invisível é real. As almas têm o seu mundo"

Autor: Vigny , Alfred de

"Cada alma é por si só uma sociedade secreta"

Autor: Jouhandeau , Marcel

"A alma, ao contrário do que tu supões, a alma é exterior: envolve e impregna o corpo como um fluido envolve a matéria. Em certos homens a alma chega a ser visível, a atmosfera que os rodeia tomar cor. Há seres cuja alma é uma contínua exalação: arrastam-na como um cometa ao oiro esparralhado da cauda - imensa, dorida, frenética. Há-os cuja alma é de uma sensibilidade extrema: sentem em si todo o universo. Daí também simpatias e antipatias súbitas quando duas almas se tocam, mesmo antes da matéria comunicar. O amor não é senão a impregnação desses fluidos, formando uma só alma, como o ódio é a repulsão dessa névoa sensível. Assim é que o homem faz parte da estrela e a estrela de Deus"

Fonte: "Húmus"
Autor: Brandão , Raúl

"A alma é a vaidade e o pprazer de um corpo são"

Autor: Céline , Louis

" A alma move toda a massa do mundo"

Fonte: "Eneida"
Autor: Virgílio

"Tenho certeza de possuir uma alma, e todos os livros com os quais os materialistas enfadaram o mundo não me convencem do contrário"
Fonte: "Viagem Sentimental"
Autor: Sterne, Laurence

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

O que é ser Wicca



esta música explica a nossa adoração pela mãe terra- GAIA



Ilusão


Sentada na cama eu escrevo

com uma caneta azul na mão,

escrevo sem pensar

o que vai no coração.


Pois se escrevesse o que penso

Não escrevia com a alma

Escrevia com Bom -senso

Aquilo que matuto sem calma.


Qual a preocupação?

Que sentes no pensamento?

O que pensas com o coração?

O que te faz pensar na vida sem razão?


Penso na ilusão que vi passar

naquele momento, não sei se

Caminhava acordada

Se estava a sonhar!


Sonhaste de certeza!

Não existe ilusões reais

nem realidades ilusórias

Não sonhes mais!


Não ligues à verdade!

Sonha o possível e acorda o impossivel.

Eu vou continuar na Ilusão

Para poder escrever

O sem nexo e sem razão!


Wicca

31-01-2003


Rogo

Não, não rezes por mim.
Nenhum deus me perdoa a humanidade
Vim sem vontade
E vou desesperado
Mas assinei a vida que vivi
Doeu-me o que sofri
Fui sempre o senhorio do meu fado.

Por isso, quero a morte que mereço.
A morte natural,
Solitária e maldita
De quem não acredita
Em nenhuma oração
De salvação
De quem sabe que nunca ressuscita


Miguel Torga

Frase para pensar...



"A morte não é um bem
Os próprios deuses o sabem
Eles preferiram viver".

Safo (séc VII A.C.)

Beijo



Dá-s beijo leve,
Beijo Forte
Beijo Longo
de perder o norte,
beijo curto
mas doce
como se mel fosse.

Beijo calmo,
Beijo violento,
Beijo rápido
Como a passagem do vento
Beijo lento e amedrontado
Beijo amado e ousado
Beijo de olho aberto e desconfiado.

Mil e uma maneiras de se dar um beijo
Qual delas escolher e como faz-se?
O beijo não se escolhe
Apenas... dá-se.


Wicca

10-09-2001

My Past


Vou deixar-vos um pouco do meu passado para me conhecerem melhor e rirem um pouco!


Nesta altura, ainda era uma bolinha que adorava dormir encolhida sem me chatearem..Gostava tanto que tiveram de provocar o parto! Sorry mummy!
Já na altura não era muito fotogénica e não gostava de alturas...
Não se metam comigo que eu sou mucho macho!!Bale?
Ai!!Onde é que anda o meu Navara?Tantos anos que ainda faltam para a carta!!SSnniiff!!
1 ano...Sempre com carrapitos na cabeça..A minha filha ha-de-as pagar!!HeHe!!
Espectáculo!Tá tudo pronto pra night? Eu estou!

As indecências que já fazia naquela altura!! Pai, espectáculo de bigode!!

Sempre fui adepta do topless!Quem quer vir comigo á praia?



Lilith


Para começar, vou explicar o título do meu blog: Lilith. Para quem nunca ouviu falar de Lilith, esta foi a primeira mulher de Adão, segundo os contos antigos.

Ora a partir daqui é que começei a admirar esta mulher. Continuei a ler para poder aprofundar mais os meus conhecimentos. Porque é que Lilith nunca foi falada na Bíblia, tal como Eva?

Ao contrário de Eva, Lilith não se submetia ao sitema patriarcal. Passo a explicar: Sabendo esta que foi feita da mesma matéria que Adão, Lilith rebeliou - se pois durante o acto sexual tinha de ficar sempre por baixo! Quando reclamou a deus, este disse que era esta a ordem natural, como mulher, subjugar- se ao Homem.

Lilith, fugiu do jardim do Eden. Mais tarde, houve Eva e comenta- se que a cobra que apareceu para seduzir Eva a comer o fruto proibido, era Lilith.

As mulheres são mesmo cobras umas para as outras!